...PALAVRAS INSONORAS!!!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O ‘X’ da questão



O ambiente de bolsa de valores foi criado para unir aqueles que têm projetos e não têm capital suficiente para tirá-los do papel com os que têm recursos extras e não sabem onde aplicá-los. Como há vários investidores sem poder de voto em uma sociedade dessa forma, se chamou de sociedade anônima ou simplesmente S/A.

Esse conceito no Brasil é pouco difundido até pela dificuldade de se criar uma empresa no país. Os entraves burocráticos e a desconfiança da justiça brasileira transformou o nosso mercado de capitais em veículo de captação de elevados volumes de recursos apenas para grandes companhias em operação.

Como toda regra tem sua exceção, Eike Batista, homem mais rico do Brasil e um dos mais ricos do mundo, conseguiu utilizar o mercado de capitais na sua essência e captar recursos para grandes projetos de infraestrutura e commodities.

O primeiro grande projeto foi a MMX, uma empresa de mineração que teve o lançamento de suas ações em 2006. Depois vieram vários outros: LLX, na área de logística, OGX, companhia de exploração e produção de gás e petróleo, OSX, prestadora de serviços em alto mar para exploração de petróleo e estaleiro, e a MPX, geradora de energia.

Por superstição, sempre as empresas terminam com a letra “X” no final. Eike alega que o X multiplica o dinheiro. Em 2012 as coisas mudaram um pouco de figura.


A OGX, por exemplo, perdeu até o fim de novembro mais de 65% de seu valor apenas no ano de 2012. Qual o motivo para tanta desvalorização?

Expectativas e promessas elevadas. Muito elevadas. Ao apresentar os projetos das empresas, Eike utilizou a estratégia de prometer metas ousadas e arrojadas para pode justificar o preço e a valorização das companhias que estão em fase pré-operacional, ou seja, ainda não geram receita e muito menos lucro. O fato determinante para a derrocada das ações das empresas “X” foi o anúncio da produção dos poços de petróleo de Tubarão Azul da OGX na Bacia de Campos. A promessa era de produzir 20 mil barris/dia. Porém, só conseguiu produzir 1/4 do prometido, 5 mil barris/dia.

As expectativas deram lugar à desconfiança e o resultado foi um tombo geral nos preços das ações de todos os projetos/empresas de Eike na bolsa de valores. Sua imagem ficou arranhada e seus projetos foram questionados. Ele permanece inabalado em seu discurso e grita para todos que quem apostar contra ele vai perder. Por enquanto, não é o que está acontecendo.

Para aliviar as tensões e minimizar os questionamentos, ele prometeu investir R$ 1 bilhão no caixa da OGX, caso a empresa precise.

As empresas dele estão saindo do papel e começando a entregar os primeiros resultados – pequeninos, mas aparecem. O que devemos ver no preço das ações de suas empresas nos próximos meses ainda é muita volatilidade.

Do Diário de Pernambuco por Rodrigo Leone e Diogo Velho Barreto

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